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Dúvidas frequentes



Dr. Lívio Portela


1) Quando devo procurar um mastologista?

O médico mastologista é o profissional habilitado em diagnosticar e tratar as doenças das glândulas mamárias. Então a mulher deve procurá-lo sempre que estiver com algum sintoma(dor, desconforto, palpação de nodulações, saída de secreção, ferimento de pele) ou que algum exame de rotina mostrou alguma anormalidade, mesmo que ela não esteja sentindo nada.

2) Quais são os exames mais precisos para detectar um câncer de mama?

O exame físico feito pelo mastologista, a mamografia e a ultrassonografia mamária. A ressonância nuclear magnética pode ajudar em alguns casos selecionados. E o exame que confirma o câncer é a biópsia.

3) Quais são os sintomas mais comuns de câncer de mama?

No câncer inicial, ainda pequeno, dificilmente a mulher vai sentir algo. No câncer mais avançado, ela pode sentir uma nodulação endurecida, saída de secreção pelo mamilo, retração da pele e/ou mamilo, ferimento de pele e nodulação em axila.

4) Qual é a relação da reposição hormonal com o aumento do risco de câncer de mama?

Alguns trabalhos científicos realizados no inicio dos anos 2000 evidenciaram que a reposição hormonal poderia elevar a incidência de câncer de mama ( elevação do risco relativo), principalmente com utilização prolongada e mais ainda com um tipo de medicação (estrogênios conjugados).

5) No tratamento do câncer de mama quais são os tipos de cirurgia?

Temos a mastectomia( retirada de toda a glândula mamária) e as cirurgias conservadoras (retirada de uma parte da mama englobando o tumor). Nas modernas técnicas de Cirurgia Oncoplástica, a mastectomia consegue preservar o máximo de pele, inclusive mamilo e aréola, e realiza-se reconstrução mamaria imediata com próteses de silicone associada ou não de retalhos da própria paciente. Além de que as cirurgias conservadoras são feitas com rotações de retalhos de forma que o resultado final seja esteticamente satisfatório, além da simetrização da mama oposta.

6) Quando é recomendada a retirada dos gânglios linfáticos?

Atualmente, no câncer inicial, só precisamos retirar um ou poucos linfonodos, pelas técnicas de pesquisa de linfonodos sentinela. Somente na disseminação metastática mais importante em linfonodos axilares é que precisamos remover uma quantidade maior deles (Linfadenectomia Axilar).


Dr. Thiago Almendra


1) A dor na mama pode ser um sintoma de câncer?

A dor mamária representa a principal queixa das pacientes nos consultórios de especialistas em mama. Na grande maioria das vezes, não está relacionada ao câncer. O câncer de mama pode apresentar dor, mas, nesses casos, a doença se manifesta com outros sinais ou sintomas que são mais característicos ou suspeitos, como um volumoso nódulo palpável, úlcera mamária, nódulo axilar avançado, ou até quando a doença estiver atingindo tecidos mais profundos. Portanto, a dor existe em alguns poucos casos, mais avançados, juntamente com outros sinais e sintomas. A dor isolada que aparece geralmente uma semana antes da menstruação tem causa hormonal e não representa câncer de mama ou risco de desenvolvê-lo.
Nas mulheres que já pararam de menstruar, a dor mamária isolada, unilateral, pode estar associada a doenças ou fatores osteomusculares e que, também, não representa câncer de mama ou risco de desenvolvê-lo.

2) Descobrir um câncer de mama precocemente garante a cura?

Os cânceres não são todos iguais e, portanto, não têm comportamentos iguais. A biologia de cada câncer e a maneira como cada organismo reage ao desenvolvimento da doença são fatores que podem determinar o sucesso ou não do tratamento. Dessa forma, descobrir um câncer de mama precoce não é garantia absoluta de cura, já que muitos outros fatores podem estar envolvidos no processo. Contudo, a descoberta precoce, isoladamente, aumenta sobremaneira as chances de sucesso, que podem representar a cura e/ou a melhora da qualidade de vida da paciente.

3) Qual é o melhor momento para fazer a reconstrução mamária?

As técnicas cirúrgicas têm avançado muito ultimamente. Hoje, os cirurgiões fazem cirurgias menores, menos agressivas, com pequenas cicatrizes e com resultados estéticos satisfatórios. Para as mulheres que serão submetidas à mastectomia (retirada de toda a mama), as indicações e as alternativas de reconstrução devem ser discutidas com os médicos responsáveis. O melhor momento para fazê-la vai depender de alguns fatores, como tipo de cirurgia e outros tratamentos subsequentes à cirurgia. No entanto, há uma tendência a indicar reconstrução imediata (no mesmo tempo cirúrgico da retirada da mama) ou o quanto antes, na maioria dos casos de mastectomia.

4) Depois de um tratamento de um câncer de mama fiquei com linfedema no braço. Por que isso aconteceu?

Uma das principais consequências tardias da cirurgia mamária radical é o linfedema. Com a evolução das técnicas cirúrgicas atuais, esta complicação tem se tornado cada vez mais rara. Quando indicado, o esvaziamento axilar (retirada dos linfonodos axilares) acaba por alterar as vias de drenagem do membro superior do mesmo lado da cirurgia. Dessa forma, qualquer agressão ou trauma sofrido pelo membro pode causar inchaço (edema) do mesmo, difícil de ser drenado pelas vias linfáticas alteradas. O edema então se acumula, causando desconforto, dor e dificuldade de movimentação do membro.


Dr. Ricardo Keyson


1) Por que está aumentando a incidência de novos casos de câncer de mama?

O câncer de mama é o câncer mais frequente na mulher, excetuando o câncer de pele não melanoma. A mulher, em geral, tem um risco de cerca de 12% de ter um diagnostico de câncer de mama, durante toda a sua vida. Nos últimos anos, vemos com mais frequência casos de diagnóstico de câncer de mama em pessoas próximas a nós. Esse maior número de diagnóstico está relacionado ao maior acesso a consultas, exames diagnósticos e à informação. Mas ressaltamos que as técnicas de tratamento mudaram também para melhor e a chance de cura em estágios precoces é extremamente alta.

2) A mamografia é um exame perfeitamente eficaz na descoberta de um câncer de mama?

Hoje, o rastreio de câncer de mama se baseia em história clínica, exame clínico e de imagens da paciente. A mamografia, hoje, comparada a outros métodos diagnósticos, ainda é o melhor método de rastreio de câncer de mama e está indicada a partir dos 40 anos.

3) Fiz um teste genético e descobri que tenho mutações genéticas com alto risco de desenvolver um câncer de mama. O que devo fazer para evitar esse risco?

O câncer de mama hereditário corresponde a cerca de 10% de todos os cânceres mamários, mas apenas 1% desse total tem uma mutação conhecida. Então, os testes genéticos devem ser indicados em casos específicos de pacientes de risco como: pacientes com histórico familiar de câncer de mama em mais de um parente próximo, em pacientes com diagnóstico de câncer de mama em idades precoces, parentes de primeiro grau de portadores de mutação com associação positiva para câncer de mama e homens com câncer de mama (Sim, homens podem desenvolver câncer de mama). A presença de uma mutação que se associe a alto risco de câncer de mama implica a necessidade de exames clínico, físico e de imagem de modo sistemático com fim de permitir o diagnóstico precoce, caso ocorra o câncer. Ainda, alguns procedimentos cirúrgicos são indicados por diminuírem, mas não extinguirem, o risco de câncer de mama nestas pacientes, como a mastectomia redutora de risco que em casos selecionados, modificam o risco de 90% para 10%.

4) Piercing no mamilo pode ser um risco para um câncer de mama?

Não. No momento, não há trabalhos científicos demonstrando associação de risco entre uso de piercing e câncer de mama. Entretanto, usuárias de piercing tem maior chances de desenvolver abscessos mamários. Para câncer de mama, os fatores de risco conhecidos que podemos modificar são: dieta rica em açúcar, sedentarismo, ingestão de álcool e obesidade.


Aline Freire


1) Como devo me alimentar na quimioterapia?

A alimentação deverá ser variada e equilibrada. Se sentir algum efeito colateral à quimioterapia deverá procurar orientação com o seu oncologista e nutricionista.

2) O açúcar causa câncer?

O açúcar não causa câncer. O problema de consumir excessivamente bebidas açucaradas e doces não é indicado porque esses alimentos são muito calóricos podendo levar a um ganho de peso. E a obesidade é causa de câncer.

3) Que tipos de alimentos eu tenho que evitar para ter uma boa saúde?

Evite “alimentos” ultraprocessados. Os alimentos ultraprocessados são ricos em açúcares e gorduras; possuem alto teor de sódio; são ricos em gordura saturada, gordura hidrogenada e gorduras trans; são pobres em fibras, vitaminas e minerais e possuem muitos aditivos como, aromatizantes, corantes, espessantes, conservantes, acidulantes dentre outros. Os tipos de alimentos ultraprocessdos são: salsichas, calabresas, presuntos, bolachas, macarrão instantâneo, refrigerantes, sucos de caixinha, achocolatados, iogurtes, massas para bolos, salgadinhos de pacote e vários outros produtos industrializados.

4) Com o câncer de mama minha dieta terá que mudar?

Não necessariamente. A não ser que você não tenha bons hábitos alimentares. Temos que fazer sempre boas escolhas alimentares optando por um maior consumo de frutas e verduras, alimentos integrais e naturais.

5) O que posso fazer para baixar meu risco de ter um câncer?

Evite o consumo de bebidas alcoólicas; pratique atividade física regularmente; mantenha um peso adequado; faça uma alimentação variada e equilibrada. Se estas medidas forem postas em prática estima-se que cerca de 30% dos casos de câncer de mama possam ser evitados.


Dra. Vanessa Castelo Branco


1) Pessoas estressadas têm mais chances de ter um câncer de mama?

O estresse aumenta a liberação de cortisol no nosso organismo. E, níveis cronicamente elevados de cortisol, causam, entre outros problemas de saúde, redução da função do sistema imunológico. Se lembrarmos que o sistema imunológico ajuda a evitar e a combater o câncer, podemos dizer que todo estado que deprime a imunidade, assim como o estresse, contribui para a formação de cânceres.

2) Posso participar das campanhas de vacinação quando estiver em tratamento de um câncer de mama?

Se estiver em quimioterapia, deve antes consultar seu oncologista a respeito, porque algumas vacinas (com microorganismos vivos) não poderão ser tomadas.

3) Em qual paciente é indicado o tratamento hormonal?

No caso de tumores de mama, há indicação de hormonioterapia para as mulheres com resultado de receptores para estrógeno e/ou progesterona positivos na imunohistoquímica.

4) Quando é recomendado o tratamento radioterápico?

No cenário de tratamento adjuvante, a radioterapia é indicada quando: for realizada cirurgia conservadora; ou tumor maior que 5 cm; ou presença de linfonodos comprometidos; ou margens cirúrgicas comprometidas.


Dr. Cláudio Rocha


1) Estive em um tratamento de um câncer de mama há uns três anos, agora o câncer voltou. Será mesmo que o câncer não tem cura, só tem controle? Serei sempre uma paciente oncológica?

Dependendo do estágio da doença ao diagnóstico bem como outras características anatômicas e moleculares, a paciente com câncer de mama apresenta maior ou menor chance do retorno da doença, denominada de recidiva. Quando se fala que a doença voltou (recidiva) ou se disseminou para outros órgãos (metástases), o tratamento passa a ter objetivo de controle da doença ao invés da cura. Devido aos grandes avanços no conhecimento dos diversos tipos de câncer de mama e desenvolvimento de inúmeros tratamentos, hoje em dia é possível que a doença avançada se torne crônica e muitas mulheres vivem com câncer sob controle com qualidade de vida.

2) O uso de anticoncepcionais aumenta o risco de câncer de mama?

Sim. De acordo com estudos recentes, o uso de qualquer tipo de anticoncepcional hormonal (incluindo o DIU de progesterona) foi associado a 1,3 novos casos de câncer de mama para cada 10.000 mulheres ao ano, uma parcela pequena. Portanto, recomenda-se que as mulheres que fazem uso desse método contraceptivo não interrompam seu uso e que conversem com seus médicos, avaliando seus riscos e benefícios.

3) Minha mãe e minha irmã tiveram câncer de mama, provavelmente eu terei também?

Não. De todos os casos de câncer de mama, apenas 10% das mulheres diagnosticadas tem a doença por causa hereditária. No caso acima, recomenda-se a investigação e aconselhamento genético bem como nas mulheres diagnosticadas abaixo dos 45 anos, àquelas com histórico de outros tumores em qualquer idade e/ou de casos de câncer na família, do lado materno e /ou paterno. O ideal é toda e qualquer paciente que se enquadre em um ou mais fatores seja investigada, especialmente para a pesquisa d a mutação nos genes BRCA-1 e BRCA-2. Caso estejam presentes, sugere-se a participação em programas de prevenção e rastreamento de acordo com protocolos específicos com o objetivo de diagnosticar a doença precocemente e impedir que ela apareça a partir de mudanças no estilo de vida.

4) Depois da quimioterapia e radioterapia voltei a trabalhar, mas fiquei com a memória prejudicada, tenho lentidão em processar as coisas e me canso facilmente. Quanto tempo eu terei que esperar esses efeitos colaterais passarem?

Muitas mulheres que realizaram tratamento contra o câncer de mama relatam problemas de concentração, memória e fadiga. Esses efeitos não são exclusivos de quem realizou quimioterapia e podem durar de meses a anos, dependendo de cada caso. O uso de lembretes, prática regular de atividade física, alimentação saudável rica em vegetais e orientação médica costuma evitar e aliviar esse tipo de sintomas.


Barbosa O. Gomes


1) Estou em tratamento de um câncer de mama e estou com muito medo. Como faço para aliviar meu stress?

A primeira coisa a fazer é aprender o autocontrole emocional, depois a compreensão adequada do câncer e do tratamento para uma melhor adesão. Em seguida, buscar aprender a meditar e a evocar relaxamento poderão ser auxiliares poderosos para atenuar até mesmo as reações naturais do corpo ao estresse e alguns outros sintomas associados ao câncer e seu tratamento, como as náuseas, as dores de cabeça e a combater a tendência à tristeza e ao desânimo. Ao mesmo tempo, é importante uma conversa franca com o seu mastologista para saber o que está ao seu alcance. Geralmente, se pode contar com uma equipe de profissionais como fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos prontos para lhe orientar em tudo que tiver relacionado ao seu tratamento. Ter uma boa base de informações lhe trará mais calma e capacidade de resolução de problemas. É importante um psicólogo na área de oncologia, pois ele lhe proporá apoio psicossocial e psicoterapêutico diante do impacto do diagnóstico e de suas consequências, e mesmo durante o tratamento, mostrando a possibilidade de auxílio para melhor enfrentamento e qualidade de vida enquanto estiver doente e também de buscar o apoio afetivo de amigos e familiares.

2) Depois que comecei a quimioterapia fiquei muito negativa, triste. Esse meu sentimento vai prejudicar meu tratamento?

É natural que você se sinta insegura, afinal, é um momento delicado e ao mesmo tempo você pode estar considerando o quão ele é perigoso também. O que pode alterar o seu senso de autoestima para baixo, pois sentirá que o controle está além de você, pois tais efeitos virão em consequência do medicamento utilizado na quimioterapia. Assim, os níveis de stress podem aumentar e carrear dificuldades até para o êxito do tratamento. Mantenha-se, de alguma forma, ativa com as coisas que ainda estão em curso na sua vida. É importante cuidar em ir-se preparando aos poucos para algumas mudanças que ocorrerão. Pode ser que você queira partir para assumir o controle e queira saber o que fazer para ajudar a melhorar sua saúde e apoiar o tratamento. Por isso, é importante que você possa dispor de um serviço de atendimento psicológico. Entenda que o apoio que você precisará também estará nas suas relações afetivas com familiares e amigos próximos. Como disse H. Hill, nós, profissionais que trabalhamos com o câncer, “acreditamos, em um nível mágico do subconsciente – lá dentro do íntimo -, que temos um acordo com os deuses.”

3) Será que o meu comportamento me levou a ter um câncer? Será que estou sendo castigada?

É bom que você saiba que as origens do câncer estão sendo pesquisadas há muito tempo, e muitos estudos publicados no mundo inteiro não são definitivos e tudo o que se sabe até agora é que o câncer é uma doença multifatorial. Embora se acredite que cerca de um terço de todos os tipos de câncer é, em parte, resultados de más dietas, a influência de fatores do ambiente e do estilo de vida na ocorrência do câncer ainda são muito complicados de definir. Portanto, não há ainda como provar o que, exclusivamente, é causa do câncer. Quanto ao “castigo”, provavelmente está relacionado ao seu modo de viver a sua crença religiosa ou sua cultura. Conquanto a bíblia - se você for católica - não se refira especificamente ao câncer, o castigo também aqui é difícil de comprovar, porque sabemos que ele é introduzido em sua mente como uma forma primitiva de relacionar as doenças a um comportamento de afastamento. Entretanto, tanto os crentes quanto os descrentes desenvolvem câncer e outras doenças, não é mesmo?

4) Depois que perdi os cabelos na quimioterapia, quase não saio de casa. Como faço pra lidar com as pessoas que me olham como “coitadinha”?

É bem comprovado que não é possível saber o que as outras pessoas pensam sem que elas nos falem. Muitas vezes ocorre de achar que sabemos. E para evitar sentir-se constrangidas, muitas pacientes passam a reduzir suas saídas de casa, e muitas vezes um dos motivos mais frequentes é “o olhar dos outros”. Certa vez, uma paciente me disse, logo que os cabelos começaram a cair: - “... lógico que nós, mulheres, nos sentimos mais para baixo sem a nossa linda cabeleira”. O que posso dizer, e eu espero que possa ajudar, é que os sentimentos das pessoas são determinados pelo que elas pensam. E você também pensa, então pode se dizer que, se você pensa de uma determinada forma, por exemplo: - “Que ruim estar careca”, ou: - “É triste estar sem cabelo”, você se sentirá da mesma forma, isto é, triste, “para baixo”. Então, a nossa sugestão é que você avalie se deixar de fazer algo que lhe faz bem apenas porque alguém pode estar olhando e pensando sabe-se lá o quê de você, é benéfico à sua saúde. Estar ao ar livre e frequentar espaços sociais são hábitos saudáveis importantes para manter o bem-estar e favorecer uma recuperação mais rápida. Por outro lado, as pessoas poderão perceber a sua coragem e as mudanças que ocorrerão em você. As mulheres, em geral, dizem que o cabelo volta, e que “quando recomeça a nascer vem com tuudoo!” Na verdade, é só uma fase e logo vai passar. Não prive as pessoas que você ama de sua presença. Mantenha o quanto puder seus hábitos saudáveis, e faça o que lhe faz sentir-se bem sem importar-se tanto com os outros.

5) Meu câncer voltou e agora estou com medo do futuro, pois ainda não realizei muita coisa. O que faço para poder viver melhor e acreditar mais na vida?

Após o primeiro câncer, você pode sentir que a forma de ver o seu corpo mudou definitivamente. De alguma forma, você sentirá menos confiança, e se sentirá mais vulnerável em todos os sentidos, e de alguma forma, até menos controle. Se tentarmos ensinar que, se fizer tudo certo, como dieta, exercícios, gerenciamento do estresse, relações pessoais, etc. você obterá a melhor saúde e até longevidade, você perceberá logo que nada disso é verdade. Porque muitos sérios problemas de saúde, além de outros eventos da vida, não estão sob nosso controle. De qualquer modo, a sugestão é que você procure um psicólogo para esta orientação, bem como uma nutricionista que lide com ideias sobre qualidade de vida através dos alimentos. Como já afirmei antes, repito aqui que a prática da meditação e buscar formas de vida que proporcionem mais relaxamento, prazer e sensação de estar sendo útil, serão de grande e poderoso auxílio. A vida segue inexoravelmente, e muitas vezes fazer planos pode até bloquear o fluxo natural dela. Então, eu sugiro que uma pessoa não precisa alimentar grandes sonhos, mas cuidar das pequenas coisas significativas ao seu redor, aquelas que estão próximas de você.


Laís de Meneses Carvalho Arilo


1) Desde que comecei o tratamento de um câncer de mama só me relaciono com pessoas que estão em situação parecida com a minha. Parece que vivo em um mundo paralelo, que só quem me entende é quem está lutando contra um câncer. E assim me sinto afastada de meus amigos antigos e familiares. O que posso fazer para melhorar meu relacionamento com essas outras pessoas?

O Câncer é uma doença repleta de estigmas e muitas vezes o próprio paciente encara o adoecimento como um momento de esquiva da vida social e das relações afetivas, sejam elas familiares ou amorosas. O medo de que as pessoas ao seu redor não entendam o que está passando, tende a favorecer esse afastamento. O ideal é que pacientes com câncer enfrentem o adoecimento como um momento que requer adaptações. Dessa forma, cabe ao paciente escolher quem quer ter por perto durante o período de tratamento, pois o apoio social e familiar pode favorecer um melhor enfrentamento da doença.
Um psicólogo pode ajuda-la a traças estratégias de adaptação, bem como poderá favorecer a compreensão das dificuldades que favorecem esse afastamento.

2) Estou casada há uns 5 anos e há pouco tempo estou em um tratamento de um câncer de mama. Eu e meu marido tínhamos um sonho de ter filhos. Agora tenho medo de não poder realizar e isso me entristece muito. Como faço para lidar melhor com isso?

O medo costuma acompanhar a mulher com câncer de mama durante todo o tratamento. As dúvidas e incertezas relacionadas a doença podem ser sanadas com informação. A informação é uma aliada no tratamento de qualquer doença. Falar abertamente com seu médico pode ajudar a esclarecer questionamentos como esse e aliviar sua ansiedade. Após o tratamento do câncer de mama a mulher pode engravidar, mas é importante que tome decisões conscientes e de acordo com as orientações do médico que a acompanha.

3) Durante o tratamento do câncer de mama meu corpo mudou. Perdi minha mama direita, emagreci muito, meus cabelos caíram, não gosto de me olhar no espelho e tudo isso prejudicou minha relação com meu marido. O que devo fazer para reverter essa situação?

Dentre os aspectos psicológicos envolvidos no adoecimento por câncer de mama destacam-se as mudanças na autoimagem. Tais mudanças tendem a trazer significativo sofrimento psíquico para a paciente com câncer. Buscar apoio psicológico é indispensável durante todo o tratamento, pois através do suporte de um profissional a mulher poderá desenvolver estratégias de enfrentamento e adaptação às mudanças na imagem, bem como potencializar sua autoestima.

4) Sempre fui uma mulher ansiosa mas, depois que tive câncer de mama não paro de pensar como será o futuro dos meus filhos, se estarei presente. Essa ansiedade vai atrapalhar o meu tratamento?

Sintomas ansiosos costumam acompanhar as mulheres desde o período do diagnóstico, bem como durante todo o tratamento. As incertezas do processo de adoecimento favorecem o surgimento de tais sintomas. Porém, a psicoterapia pode favorecer a diminuição da ansiedade e consequentemente proporcionar bem estar e estratégias positivas que auxiliam no enfrentamento da doença.

5) Depois do tratamento de um câncer de mama não consigo retornar ao trabalho. Não me sinto segura, tenho alguns esquecimentos, não consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo e me sinto um pouco deprimida. Como faço para resolver isso?

Após o tratamento, o retorno ao trabalho deve ser gradual e acordado com o médico. Você enfrentou uma série de mudanças no seu estilo de vida e como o próprio tratamento exigiu de você adaptações, voltar às atividades que foram interrompidas também requer cuidado e atenção. Para algumas mulheres, retomar o trabalho pode até favorecer uma melhora emocional, mas isso depende de cada pessoa. Se você está com dificuldade nesse aspecto, o ideal é procurar ajuda psicológica. O psicólogo é o profissional capacitado para auxiliar nesse processo de retomada das atividades antes interrompidas.


Adriana Napoleão


1) Posso fazer atividade física durante o tratamento quimioterápico?

Pode sim, sendo necessária a liberação do médico oncologista. O câncer de mama é o tumor de maior frequência na população feminina e o exercício físico após o diagnóstico de câncer está fortemente correlacionado com melhoria da qualidade de vida e aumento da sobrevida. A paciente que realiza exercício físico durante e pós-tratamento, consegue voltar às atividades diárias rapidamente, diminui a sensação de fadiga e cansaço, mantêm suas capacidades físicas e funcionais e pode reduzir os riscos de recorrência da doença.

2) Comecei a quimioterapia e sinto muita fadiga. Qual o exercício mais indicado para melhorar essa fadiga?

Durante o tratamento, 70% das mulheres apresentam fadiga e esse tipo de cansaço não melhora com o repouso, limitando suas atividades do cotidiano. Essa inatividade leva a perda da massa muscular e consequentemente da função. Um programa de exercícios físicos pode melhorar este quadro.
O programa de exercício físico deve incluir o trabalho de força, capacidade aeróbica e flexibilidade, com a realização de um aquecimento antes de iniciar as atividades e alongamento e relaxamento no final, trabalhando a respiração profunda para aumentar a movimentação do tórax, ajudar no relaxamento e na redução de tensões.

3) Existe alguma restrição na prática de alguma atividade física para paciente oncológica?

O programa de exercício físico para pacientes oncológicas deve ser seguro, eficaz e agradável para a paciente, levando em consideração o tipo e estadiamento da doença; o tipo de tratamento, o nível de condicionamento físico e a liberação do médico Oncologista. Nas situações de infecção, febre e dor aguda, deve-se evitar o exercício físico, obedecendo sempre a liberação médica.
O exercício físico deve ser iniciado devagar, aumentando o ritmo de maneira lenta e respeitando os limites individuais. É importante monitorar a frequência cardíaca, o cansaço e a respiração e ao sinal de falta de ar e cansaço, o exercício físico deve ser interrompido, sendo necessário um período de descanso para retomar as atividades.

4) Estou com câncer de mama e tenho osteoporose. Que exercício físico eu posso fazer?

Recomenda-se que toda paciente em tratamento para o câncer de mama mantenha hábitos de vida saudáveis, incluindo a prática de atividade física que é fundamental, tanto para a preservação da massa óssea e da massa muscular, quanto para a redução do risco de recidiva do câncer.
Após a liberação do médico e avaliação do profissional de educação física, os exercícios mais indicados são aqueles que estimulam a produção de células ósseas, incluindo exercícios que oferecem força compressiva nos ossos como os treinos aeróbicos e de fortalecimento, destacando-se a caminhada, musculação e treinos funcionais.