4. Depois que perdi os cabelos na quimioterapia, quase não saio de casa. Como faço pra lidar com as pessoas que me olham como “coitadinha”?

É bem comprovado que não é possível saber o que as outras pessoas pensam sem que elas nos falem. Muitas vezes ocorre de achar que sabemos. E para evitar sentir-se constrangidas, muitas pacientes passam a reduzir suas saídas de casa, e muitas vezes um dos motivos mais frequentes é “o olhar dos outros”. Certa vez, uma paciente me disse, logo que os cabelos começaram a cair: - “... lógico que nós, mulheres, nos sentimos mais para baixo sem a nossa linda cabeleira”. O que posso dizer, e eu espero que possa ajudar, é que os sentimentos das pessoas são determinados pelo que elas pensam. E você também pensa, então pode se dizer que, se você pensa de uma determinada forma, por exemplo: - “Que ruim estar careca”, ou: - “É triste estar sem cabelo”, você se sentirá da mesma forma, isto é, triste, “para baixo”. Então, a nossa sugestão é que você avalie se deixar de fazer algo que lhe faz bem apenas porque alguém pode estar olhando e pensando sabe-se lá o quê de você, é benéfico à sua saúde. Estar ao ar livre e frequentar espaços sociais são hábitos saudáveis importantes para manter o bem-estar e favorecer uma recuperação mais rápida. Por outro lado, as pessoas poderão perceber a sua coragem e as mudanças que ocorrerão em você. As mulheres, em geral, dizem que o cabelo volta, e que “quando recomeça a nascer vem com tudo!” Na verdade, é só uma fase e logo vai passar. Não prive as pessoas que você ama de sua presença. Mantenha o quanto puder seus hábitos saudáveis, e faça o que lhe faz sentir-se bem sem importar-se tanto com os outros.

5. Meu câncer voltou e agora estou com medo do futuro, pois ainda não realizei muita coisa. O que faço para poder viver melhor e acreditar mais na vida?

Após o primeiro câncer, você pode sentir que a forma de ver o seu corpo mudou definitivamente. De alguma forma, você sentirá menos confiança, e se sentirá mais vulnerável em todos os sentidos, e de alguma forma, até menos controle. Se tentarmos ensinar que, se fizer tudo certo, como dieta, exercícios, gerenciamento do estresse, relações pessoais, etc. você obterá a melhor saúde e até longevidade, você perceberá logo que nada disso é verdade. Porque muitos sérios problemas de saúde, além de outros eventos da vida, não estão sob nosso controle. De qualquer modo, a sugestão é que você procure um psicólogo para esta orientação, bem como uma nutricionista que lide com ideias sobre qualidade de vida através dos alimentos. Como já afirmei antes, repito aqui que a prática da meditação e buscar formas de vida que proporcionem mais relaxamento, prazer e sensação de estar sendo útil, serão de grande e poderoso auxílio. A vida segue inexoravelmente, e muitas vezes fazer planos pode até bloquear o fluxo natural dela. Então, eu sugiro que uma pessoa não precisa alimentar grandes sonhos, mas cuidar das pequenas coisas significativas ao seu redor, àquelas que estão próximas de você.

Barbosa O. Gomes

PSICÓLOGO

1. Estou em tratamento de um câncer de mama e estou com muito medo. Como faço para aliviar meu stress?

A primeira coisa a fazer é aprender o autocontrole emocional, depois a compreensão adequada do câncer e do tratamento para uma melhor adesão. Em seguida, buscar aprender a meditar e a evocar relaxamento poderão ser auxiliares poderosos para atenuar até mesmo as reações naturais do corpo ao estresse e alguns outros sintomas associados ao câncer e seu tratamento, como as náuseas, as dores de cabeça e a combater a tendência à tristeza e ao desânimo. Ao mesmo tempo, é importante uma conversa franca com o seu mastologista para saber o que está ao seu alcance. Geralmente, se pode contar com uma equipe de profissionais como fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos prontos para lhe orientar em tudo que tiver relacionado ao seu tratamento. Ter uma boa base de informações lhe trará mais calma e capacidade de resolução de problemas. É importante um psicólogo na área de oncologia, pois ele lhe proporá apoio psicossocial e psicoterapêutico diante do impacto do diagnóstico e de suas consequências, e mesmo durante o tratamento, mostrando a possibilidade de auxílio para melhor enfrentamento e qualidade de vida enquanto estiver doente e também de buscar o apoio afetivo de amigos e familiares.

2. Depois que comecei a quimioterapia fiquei muito negativa, triste. Esse meu sentimento vai prejudicar meu tratamento?

É natural que você se sinta insegura, afinal, é um momento delicado e ao mesmo tempo você pode estar considerando o quão ele é perigoso também. O que pode alterar o seu senso de autoestima para baixo, pois sentirá que o controle está além de você, pois tais efeitos virão em consequência do medicamento utilizado na quimioterapia. Assim, os níveis de stress podem aumentar e carrear dificuldades até para o êxito do tratamento. Mantenha-se, de alguma forma, ativa com as coisas que ainda estão em curso na sua vida. É importante cuidar em ir-se preparando aos poucos para algumas mudanças que ocorrerão. Pode ser que você queira partir para assumir o controle e queira saber o que fazer para ajudar a melhorar sua saúde e apoiar o tratamento. Por isso, é importante que você possa dispor de um serviço de atendimento psicológico. Entenda que o apoio que você precisará também estará nas suas relações afetivas com familiares e amigos próximos. Como disse H. Hill, nós, profissionais que trabalhamos com o câncer, “acreditamos, em um nível mágico do subconsciente – lá dentro do íntimo -, que temos um acordo com os deuses. ”

3. Será que o meu comportamento me levou a ter um câncer? Será que estou sendo castigada?

É bom que você saiba que as origens do câncer estão sendo pesquisadas há muito tempo, e muitos estudos publicados no mundo inteiro não são definitivos e tudo o que se sabe até agora é que o câncer é uma doença multifatorial. Embora se acredite que cerca de um terço de todos os tipos de câncer é, em parte, resultados de más dietas, a influência de fatores do ambiente e do estilo de vida na ocorrência do câncer ainda são muito complicados de definir. Portanto, não há ainda como provar o que, exclusivamente, é causa do câncer. Quanto ao “castigo”, provavelmente está relacionado ao seu modo de viver a sua crença religiosa ou sua cultura. Conquanto a bíblia - se você for católica - não se refira especificamente ao câncer, o castigo também aqui é difícil de comprovar, porque sabemos que ele é introduzido em sua mente como uma forma primitiva de relacionar as doenças a um comportamento de afastamento. Entretanto, tanto os crentes quanto os descrentes desenvolvem câncer e outras doenças, não é mesmo?

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